Essa história de "Boa noite Teresina" não está acertando o alvo. Eu que anteontem, ontem, hoje e sempre preciso da madrugada e do bar aberto não tenho como descansar as intempéries da vida profissional e pessoal de forma tranquila. Ficar olhando o relógio e apressando a embriaguez porque o bar vai fechar é o cúmulo. Eu, como contribuinte, como cidadão, como ser humano que vive num país que, por meio dos dispositivos constitucionais, garante a livre locomoção e escolha do modo de vida sou interrompido de minha felicidade pela deficiência mental de alguns legisladores e figurinhas estúpidas do executivo.
Mas vamos lá, a questão é:
A violência em Teresina diminuiu com o toque de recolher?
O crime é dinâmico, o assaltante apenas mudou o horário de trabalho, os arrastões em bares e restaurantes não diminuiu, pelo contrário, já virou prática corriqueira.
Os arrastões nos ônibus já começaram, a exemplo dos sequestros relâmpagos que foram importados do eixo (fora de eixo) Rio-Sampa.
Mas vamos lá, eu tenho que ir embora mais cedo. O assaltante já foi dormir para acordar mais cedo e me pegar às sete da manhã no ponto de ônibus. Que é que eu quero ficar fazendo na rua depois das 3h.
Astronomia do absurdo!
domingo, 11 de março de 2007
Por que as folhas caem?
Daniel Sólon: porque elas não suportam a opressão patronal e é preciso construir a resistência anti-imperialista...
Orlando Berti: Segundo os “nossos” mais recentes estudos de folk-comunicação, elas buscam uma romaria midiática...
Karliete Nunes: Eu, eu não acredito não, mas é, é... não enche o saco!
Aldir Nunes: Pela relativa inconstância da constância da vida materializada no paradigma vida e morte, severina ou não, ela tem que morrer...
Roberto Denes: Acho que a vida é assim mesmo, cigana. Me dá um cigarro!
Bira Sabóia: Cara, tu tem que ver que as coisas não são bem assim, elas, uma por uma, vão acabar caindo, a questão é que toda árvore é foda mesmo, dia desses...
Yala: Caiu? Onde? Agora? Deixa eu ver?
João Henrique: Na madrugada de ontem, na Avenida das Hortas, uma folha verde escura, foi caída, covardemente pela mãe árvore, o caso foi registrado na segunda delegacia de crimes contra a má maternidade vegetal...
Vanize: Eita, caiu? Será se dá pra colocar no Ronda?
Joe Ferry: Pra fazer uma sonoridade pra nossa música, Captamata é uma banda natural, da natureza naturalística da naturalidade, totalmente in natura.
Nyldo Feyttosa: Elegantérrima, a bem nascida da sociedade teresinense Dona Folha Folharuda, está de viagem marcada pra o chão, na próxima invernada, agora ela mostra toda sua majestade...
Fábio Lima: Pra pedir demissão, ora porra! Ninguém valoriza a sombra que ela faz, e o que ela deixa de fazer, a editoria dela não dá pra levar na esportiva não. Ela foi é beber lá no chão!
Isana Barbosa: yahooooooooo! Que massa! Será se ela era a baiana e não percebia.
Quem quiser completar a lista de pessoas e respostas e só mandar!
Orlando Berti: Segundo os “nossos” mais recentes estudos de folk-comunicação, elas buscam uma romaria midiática...
Karliete Nunes: Eu, eu não acredito não, mas é, é... não enche o saco!
Aldir Nunes: Pela relativa inconstância da constância da vida materializada no paradigma vida e morte, severina ou não, ela tem que morrer...
Roberto Denes: Acho que a vida é assim mesmo, cigana. Me dá um cigarro!
Bira Sabóia: Cara, tu tem que ver que as coisas não são bem assim, elas, uma por uma, vão acabar caindo, a questão é que toda árvore é foda mesmo, dia desses...
Yala: Caiu? Onde? Agora? Deixa eu ver?
João Henrique: Na madrugada de ontem, na Avenida das Hortas, uma folha verde escura, foi caída, covardemente pela mãe árvore, o caso foi registrado na segunda delegacia de crimes contra a má maternidade vegetal...
Vanize: Eita, caiu? Será se dá pra colocar no Ronda?
Joe Ferry: Pra fazer uma sonoridade pra nossa música, Captamata é uma banda natural, da natureza naturalística da naturalidade, totalmente in natura.
Nyldo Feyttosa: Elegantérrima, a bem nascida da sociedade teresinense Dona Folha Folharuda, está de viagem marcada pra o chão, na próxima invernada, agora ela mostra toda sua majestade...
Fábio Lima: Pra pedir demissão, ora porra! Ninguém valoriza a sombra que ela faz, e o que ela deixa de fazer, a editoria dela não dá pra levar na esportiva não. Ela foi é beber lá no chão!
Isana Barbosa: yahooooooooo! Que massa! Será se ela era a baiana e não percebia.
Quem quiser completar a lista de pessoas e respostas e só mandar!
Parque Infantil
Ela traça uma curva sutil, uma planta
desenha uma manha, um azul que espanta
faz-me esperar outro traço, assim, na garganta
uma pipoca, sorvete, pirulito que venta.
Vem, tem uma fonte pra brincar,
que cheira algodão doce e encanta
ela esconde comigo, na certa, um par
que se forma no arco-íris da rampa
Ela traça um parque infantil no papel
Com aquarelas de beijo secreto
Uma passarela pra quem não viu
Corre-corre, pega-pega, eu prometo
Que vai chover na casa amarela, uma onda
Com as bruxas e as fadas, me esconda
Antes de amanhã, tem paixão, encomenda
Pelúcia e bicicleta, brigadeiro comanda
Minha maçã-verde, na árvore temos abrigo!
Cocada e pastel, que gosto tem o céu?
Guaraná e goiabada, vem ser a namorada?
Esconde-esconde... vem brincar comigo?
desenha uma manha, um azul que espanta
faz-me esperar outro traço, assim, na garganta
uma pipoca, sorvete, pirulito que venta.
Vem, tem uma fonte pra brincar,
que cheira algodão doce e encanta
ela esconde comigo, na certa, um par
que se forma no arco-íris da rampa
Ela traça um parque infantil no papel
Com aquarelas de beijo secreto
Uma passarela pra quem não viu
Corre-corre, pega-pega, eu prometo
Que vai chover na casa amarela, uma onda
Com as bruxas e as fadas, me esconda
Antes de amanhã, tem paixão, encomenda
Pelúcia e bicicleta, brigadeiro comanda
Minha maçã-verde, na árvore temos abrigo!
Cocada e pastel, que gosto tem o céu?
Guaraná e goiabada, vem ser a namorada?
Esconde-esconde... vem brincar comigo?
Marcadores:
arquitetura da indiferença (musicada pelo Alça)
A Rosa e o Besouro
Um homem descalço pisa o som das coisas, sem perceber encosta nos galhos espinhosos das palavras e cai abrupto por sobre as estantes de orações que flutuam pela atmosfera de cheiros de épocas imemoriais. Desacordado pela dor e inconstância do destino, que se perde no norte do pensamento, a certeza do tempo se altera, e não confiante na cega aflição desta dor, o homem percorre com a ponta dos dedos as prateleiras suspensas em sua volta. Escolhe uma oração: “a paixão é a poesia que não está no papel”. Logo que lê, abre um sorriso brando – que mostra não concordar com a concepção simplista do argumento, e suspira aliviado: “ – a arte é o roteiro da vida que se espera do artista”. Neste inescrupuloso momento, o céu se abre em confins de fábulas, desce uma estrela duma constelação improvável e o sonho do homem se desfaz como as lisérgicas nuvens vespertinas. O homem, solitário, não comenta com seu futuro a ausência das pétalas, embora a rosa permaneça próxima e constante. A flauta que descansava sobre o criado-mudo, ao lado da cama, despedaça a sonolência do jardim. O homem, tocado pela flauta, desperta a rosa. A rosa, despertada pelo homem, lança suas pétalas. O perfume, lançado pelas pétalas, transforma o homem em besouro. O besouro, que era homem, vai ao jardim, vive por dois meses, e viverá mais um. Depois morrerá, para que adube os canteiros e nasçam outras rosas, que sejam despertadas por outros homens, que outros homens sintam o perfume das pétalas e voem besouros, para que os besouros fertilizem outras rosas. Tudo isto pela beleza do jardim.
O dia em que não me vi
Caminho à chuva, eu mesmo, todavia um outro, sem tempo de partida ou destino de chegada, com percurso alterado pelas lembranças alucinógenas de outra vida, distante desta que não vivo. Caminho à chuva, aos passos curtos, um pedaço diferente de mim, agora, sem demasiadas esperanças. Caminha lado a lado, comigo uma sombra lânguida de ninguém. E esses braços, que não são asas, me cortam a carne, e sufocam a garganta porque não abraçam ninguém. Precisamente, nesse instante, estou numa esquina qualquer, de qualquer lado, e ninguém ferve um chá à espera de minha voz. Cai a carteira de couro antiga, ofertada como presente por uma mulher não sei de onde, que me namorava não sei o quanto, e que agora não carece desta presença vagante. Estranho que os joelhos estão mais curvados que se estivesse sentado, embora em pé, já não agridem o asfalto. É como se houvesse um corpo vazio através das ruas. E luzes quantas não me encontram! Caminho à chuva com misérias. Nenhum andante a cumprimentar minha aparição. E assim ando durante todo este tempo, neste dia em que, fatidicamente, não me vi.
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